Todo presídio, teoricamente, dá direito a banho de sol aos seus “hóspedes”, isso não é muito diferente onde “trabalho”. Mas aqui o banho de sol é um privilégio só dos fumantes, aquela minoria que faz uso de droga livremente e ainda se acha injustiçada. Nada contra, mas imagina se todo mundo resolve soltar flatos num vagão de metrô? Não ia ser legal, né?
A grande verdade é que além de preso não posso curtir o jardim e o digníssimo sol confortante nestes dias de frio.
Detalhe: E para piorar o ar condicionado tá sempre bombando.
Esta semana senti na pele o quanto o mercado de trabalho está mudado. Já não se dá mais valor a experiência profissional.
Fui contratado por uma empresa que nem sabe o meu nome, para eles eu sou Sérgio Roberto Moreira. Não fui apresentado formalmente a empresa, apenas assisti um vídeo de quão grande a empresa é e coisa e tal.
Procurei o responsável pelo contrato e fui muito bem recebido. Perguntei pela empresa e como ela me via. Ele me falou que, a principio, todos teríamos que fazer cursos e certificações e se adaptar as condições da empresa. Me explicou como a empresa tem um plano para nós funcionários.
Expliquei que a minha preocupação era saber quando me apresentaria, mostraria meu currículo e minhas funções no novo contrato para poder discutir salário ou até mudança de função.
Em muitas palavras complicadas disse que não era necessário, o importante era o novo rótulo, ou seja, uma nova embalagem, e eu deveria estar feliz pois estou entrando para o “time”.
Bem, só me resta entrar na dança e correr por fora.
- Quem em santa cosciência trabalha na véspera da véspera do Natal?
- EU, trabalho na véspera da véspera e na véspera também.
- Pô, mas tú e mó mané!
- Eu sei.